Janeiro. Férias. Verão. Viagem. Chuva, muita chuva.
Essas são algumas palavras que lembro quando penso no mês de Janeiro, porém de alguns anos para cá, comecei a acrescentar infelizmente as palavras: enchente, desmoronamento e morte.
Nesses últimos 15 dias temos visto pela Tv e demais noticiarios, como um fenômeno natural que no passado foi sinônimo de benção e vida, se tornou algo destrutivo e mortal. A chuva.
Olho para as imagens na TV e não consigo imaginar a dor daquelas pessoas que além de perderem seus bens materiais também perderam seus parentes e amigos.
Seria castigo de Deus?
Acredito que não. O Deus no qual acredito, apesar de ser um Deus justo, não é um Deus que castiga, muito pelo contrário é um Deus que nos ama e muito. Você deve estar se perguntando: "Se Deus nos ama tanto, porque Ele permite tal coisa? Porque tanta desgraça e morte?"
Porque Ele nos deu uma coisa chamada Livre Arbitrio, nós podemos escolher os nossos caminhos e tomar as nossas decisões sem a interferência Dele, porém para toda a ação existe uma reação. O que acontece hoje é consequência de ações que foram tomadas no passado.
Ações que tomamos quando decidimos construir nossas casas, algumas delas mansões, hotéis e pousadas em locais de risco como morros, encostas, na beira do mar e margens de rios. Ações que tomamos quando jogamos lixo nas ruas que entopem bueiros, entulhos nos rios, quando desmatamos áreas para corte ilegal de madeira, para plantações ou criação de gado, quando poluimos os ares, quando ao invés de escolhermos um meio de transporte menos poluente, continuamos a andar com nossos carrões para exibir o nosso poder financeiro. Quando votamos em palhaços ao invés de pessoas preocupadas com o meio ambiente e desenvolvimento urbano, tudo isso são exemplos de decisões erradas, ações no passado que hoje vemos suas consequências.
Meu amigo, há pelo menos uns vinte anos que eu leio sobre isso que esta acontecendo hoje, tudo isso era previsto, os cientistas sempre alertaram sobre efeito estufa e suas consequências, mas nada foi feito para parar os níveis de desmatamento e poluição, colhemos o que plantamos.
Se você foi um afetado por essa chuva direta ou indiretamente, saiba que eu sinto muito, muito mesmo. Graças a Deus, ainda não fui vítima dessa tragédia. Se hoje você se pergunta porque isto aconteceu com você, infelizmente não tenho a resposta. Mas sei que nada acontece por acaso, por pior que pareça a situação, conheço estórias de pessoas que superaram tragédias em suas vidas e aprenderam grandes lições, é nisso que acredito.
Acredito na força quase que sobrenatural que o ser humano tem para se adaptar a situações adversas, acredito na inteligencia humana de aprender com os problemas e resolve-los, sim, é nisso que acredito.
Acredito que você, meu amigo, pode sair dessa situação que se encontra hoje e começar a tomar decisões que mudarão sua vida para melhor. É nisso que eu acredito.
Às vítimas das chuvas tanto no Rio, como em Sampa e nos demais locais desse país, deixo as minhas orações, para que Deus conforte seus corações e renovem suas forças para superar essa tragédia em suas vidas. Aos demais deixo essa mensagem para que possamos refletir e tentar aprender alguma coisa. Temos um ano inteiro pela frente para tentarmos amenizar esse problema.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Para você
Teu Riso
Tira-me o pão, se quiseres, tira-me o ar, mas não me tires o teu riso.
Não me tires a rosa, a lança que desfolhas,
a água que de súbito brota da tua alegria,
a repentina onda de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso com os olhos cansados
às vezes por ver que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas as portas da vida.
Meu amor, nos momentos mais escuros solta o teu riso
e se de súbito vires que o meu sangue mancha as pedras da rua,
ri, porque o teu riso será para as minhas mãos como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono, teu riso deve erguer sua cascata de espuma,
e na primavera, amor, quero teu riso como a flor que esperava,
a flor azul, a rosa da minha pátria sonora.
Ri-te da noite, do dia, da lua, ri-te das ruas tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro rapaz que te ama,
mas quando abro os olhos e os fecho,
quando meus passos vão, quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera, mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
[Pablo Neruda]
domingo, 13 de abril de 2008
TREVAS

Eu tive um sonho que não era em tudo um sonho. O sol esplêndido extinguira-se, e as estrelas vaguejavam escuras pelo espaço eterno. Sem raios nem roteiro, e a enregelada terra, girava cega e negrejante no ar sem lua; veio e foi-se a manhã - veio e não trouxe o dia. E os homens esqueceram as paixões, no horror. Dessa desolação; e os corações esfriaram. Numa prece egoísta que implorava luz. E eles viviam ao redor do fogo; e os tronos, os palácios dos reis coroados, as cabanas, as moradas, enfim, do gênero que fosse, em chamas davam luz; cidades consumiam-se. E os homens se juntavam juntos às casas ígneas, para ainda uma vez olhar o rosto um do outro; felizes quanto residiam bem à vistados vulcões e de sua tocha montanhosa, expectativa apavorada era a do mundo; queimavam-se as floresta - mas de hora em hora, tombavam, desfaziam-se - e, estralando, os troncos, findavam num estrondo - e tudo era negror. À luz desesperante a fronte dos humanos tinha um aspecto não terreno, se espasmódicos neles batiam os clarões; alguns, por terra, escondiam chorando os olhos, apoiavam outros o queixo às mãos fechadas, e sorriam; muitos corriam para cá e para lá, alimentando a pira, e a vista levantavam com doida inquietação para o trevoso céu. A mortalha de um mundo extinto; e então de novo com maldições olhavam a poeira, e uivavam, rangendo os dentes; e aves bravas davam gritos e cheias de terror voejavam junto ao solo, batendo asas inúteis; as mais rudes feras chegavam mansas e a tremer; rojavam víboras, e entrelaçavam-se por entre a multidão, silvando, mas sem presas - e eram devoradas. E fartava-se a Guerra que cessara um tempo, e qualquer refeição comprava-se com sangue; e cada um sentava-se isolado e torvo, empanturrando-se no escuro; o amor findara; a terra era uma idéia só - e era a de morte. Imediata e inglória; e se cevava o mal da fome em todas as entranhas; e morriam. Os homens, insepultos sua carne e ossos; os magros pelos magros eram devorados, os cães salteavam os seus donos, exceto um, que se mantinha fiel a um corpo, e conservava em guarda as bestas e aves e os famintos homens, até a fome os levar, ou os que caíam mortos atraírem seus dentes; ele não comia, mas com um gemido comovente e longo, e um grito rápido e desolado, e relambendo a mão que já não o agradava em paga - ele morreu. Finou-se a multidão de fome, aos poucos; dois, porém, de uma cidade enorme resistiram, dois inimigos, que vieram encontrar-se junto às brasas agonizantes de um altar onde se haviam empilhado coisas santas para um uso profano; eles as revolveram e trêmulos rasparam, com as mão esqueléticas, as débeis cinzas, e com um débil assoprar para viver um nada, ergueram uma chama que não passava de um arremedo; então alcançaram os olhos quando ela se fez mais viva, e espiaram o rosto um do outro - ao ver, gritaram e morreram- Morreram de sua própria e mútua hediondez, sem um reconhecer o outro em cuja fronte grafara a fome "diabo". O mundo se esvaziara, o populoso e forte era um informe massa, sem estações nem árvore, erva, homem, vida. Massa informe de morte - um caos de argila dura. Pararam lagos, rios, oceanos: nada mexia em suas profundezas silenciosas; sem marujos, no mar as naus apodreciam, caindo os mastros aos pedaços; e, ao caírem, dormiam nos abismos sem fazer mareta, mortas as ondas, e as marés na sepultura, que já findara sua lua senhoril. Os ventos feneceram no ar inerte, e as nuvens tiveram fim; a Escuridão não precisava de seu auxílio - as Trevas eram o Universo.
[Lord Byron]
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